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Posicionamento · 11 de outubro de 2026

Manifesto de cientistas repatriados em favor da eleição de Lula

Somos um coletivo de um grupo composto por 600 cientistas brasileiros e viemos a público declarar nosso apoio à eleição de Lula e nossa rejeição às preocupantes propostas de Flávio Bolsonaro para ciência, tecnologia e ensino superior.

Fomos formados no Brasil, a maioria por instituições de ensino e pesquisa públicas. Sempre estivemos comprometidos com o desenvolvimento do nosso país, mesmo sob condições extremamente adversas, assim como a maioria dos demais professores e pesquisadores brasileiros.

Porém, a maioria de nós teve que deixar o país no governo de Jair Bolsonaro para continuar sobrevivendo porque a produção de conhecimento e formação de cientistas no Brasil haviam sido congeladas por esse ex-presidente e seus ministros de educação, Abraham Weintraub, e de ciência e tecnologia, Marcos Pontes, através de profundos cortes no orçamento das universidades e institutos de pesquisa federais.

Recentemente, fomos chamados de volta ao país para gerar conhecimento e contribuir para a formação de nível superior e de novos cientistas através do Programa Conhecimento Brasil. Esse programa foi implementado pelo cientista, ex-diretor do INPE e do CNPq, Dr. Ricardo Galvão, sob o comando do presidente Lula, para reverter a maior fuga de cérebros da história do país, ocorrida no governo de Jair Bolsonaro.

Nos últimos 24 anos, nos governos Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro, dedicamos nossas vidas à pesquisa e à formação de pesquisadores. Essas experiências, as ações concretas de governo, e os indicadores estatísticos mostram claramente que (1) Lula e Dilma tiveram e têm comprometimento com o ensino de nível superior, produção de ciência e tecnologia no país, e que (2) a família Bolsonaro nunca teve sequer respeito por esses temas.

O plano de governo e as declarações do candidato à presidência Flávio Bolsonaro, deixam claro que ele seguirá, de forma ainda mais brutal, a linha do seu pai, ex-presidente, atualmente condenado e preso, Jair Bolsonaro. Não há uma menção sequer sobre investimentos na pesquisa, tecnologia e formação de cientistas no Brasil no plano de governo de Flávio Bolsonaro. Ao contrário! Suas únicas propostas são extremamente temerárias: (1) a troca de abrigo ministerial das instituições de ensino superior, do Ministério da Educação (MEC) para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTIC), e (2) a reorientação da atuação de CAPES e CNPq, os dois órgãos de fomento à pesquisa no Brasil.

Ora, como o atual orçamento de 15 bilhões do MCTIC, que já está defasado e precisa ser em muito ampliado apenas para a produção científica, incluiria todas as instituições federais de ensino superior do Brasil, atualmente sob abrigo do MEC? Obviamente, com cortes drásticos na produção de conhecimento e formação de cientistas. Os cortes também são esperados no funcionamento e ampliação, também essenciais, das instituições de ensino superior.

Essa alteração ministerial e estrutural proposta por Flávio Bolsonaro irá não somente congelar e reduzir drasticamente a produção científica no Brasil, muito pior do que foi no governo de seu pai; irá provavelmente fechar as portas de instituições federais de ensino superior. É inviável abrigar o funcionamento de universidades, produção de conhecimento e formação de cientistas, deixando o orçamento de 270 bilhões do MEC, ficando somente com os 15 bilhões do MCTIC. Faça a conta!

As migalhas orçamentárias que estiverem disponíveis após essa mudança estrutural e orçamentária serão redirecionadas para ciência aplicada a temas de interesse da família Bolsonaro e da extrema direita brasileira. Acabará a pesquisa de base, que é parte significativa da produção científica no país e sustenta toda a pesquisa aplicada que gera patentes e produtos. Tanto a reorientação de investimentos da CAPES e CNPq, quanto os alvos dessa reorientação são públicos no plano de governo de Flávio Bolsonaro.

Existe um plano explícito para acabar com a ciência, a formação de cientistas e de profissionais de nível superior no Brasil e promover uma nova fuga de cérebros do país, materializado no plano de governo de Flávio Bolsonaro, em suas declarações públicas, e na herança de seu pai, que ele, declaradamente, aprofundará.

Um país sem formação de cientistas, com cientistas calados, amarrados por falta de financiamento ou forçados a produzir conhecimento condicionado aos interesses do mercado ou para produção de commodities, está fadado a servir aos países que verdadeiramente investem em ciência, em uma sociedade global cada vez mais tecnológica e dependente de minerais críticos abundantes em território brasileiro. Essa subserviência está explícitamente planejada nas reuniões realizadas por Flávio e Eduardo Bolsonaro com, por exemplo, o presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump.

A ciência é apartidária e serve a todos, independentemente de sua orientação política. Mas nós, cientistas brasileiros, não podemos fechar os olhos ou apoiar, em hipótese alguma, as propostas de Flávio Bolsonaro para acabar com a ciência feita no Brasil.

Por essas razões, apoiamos o plano de governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que visa o desenvolvimento científico, humano, tecnológico e soberano, através de cientistas brasileiros, em solo nacional.

Continuaremos sempre colaborativos, mas vigilantes e cobradores!

Coletivo Mais Ciência – Repatriadas/os do Conhecimento Brasil 11 de outubro de 2026